Kay e Theo formam um casal profundamente ligado, mas suas vidas seguem caminhos criativos bastante diferentes. Ela trabalha como acrobata de circo, habituada a desafiar gravidade, equilibrio e limites do proprio corpo, enquanto Theo dedica-se a escrita de uma biografia de Eadweard Muybridge, fotografo ingles conhecido por seus experimentos pioneiros capazes de decompor o movimento em sucessivas imagens. Durante uma viagem ao Quebec, porem, aquilo que parecia apenas mais uma etapa da vida dos dois transforma-se em um pesadelo impossivel de explicar.
Kay desaparece misteriosamente e acaba aprisionada sob uma forma inimaginavel: transformada em uma marionete de madeira em uma loja de antiguidades. O corpo antes marcado pelo movimento e pela liberdade torna-se rigido, pequeno e aparentemente inanimado. Presa nessa condicao, ela se ve lancada em um mundo no qual objetos podem esconder consciencia, historias esquecidas permanecem vivas e as regras da realidade parecem obedecer a uma logica propria.
Theo recusa-se a aceitar o desaparecimento da companheira e inicia uma busca desesperada por respostas. Quanto mais investiga, porem, mais se aproxima de um territorio em que realidade, mito e sobrenatural comecam a se confundir. Sua procura assume os contornos de uma descida ao desconhecido, evocando a jornada de Orfeu em busca de Euridice e transformando o amor entre os dois em forca capaz de desafiar aquilo que parece definitivo.
Enquanto Theo tenta encontra-la, Kay precisa compreender a estranha existencia das marionetes e aquilo que mantem esses seres presos ao mundo. Bonecos de madeira, lojas antigas, memorias e movimentos interrompidos compoem um universo de beleza inquietante, no qual o tempo parece preservar pessoas e sentimentos de maneiras tao fascinantes quanto assustadoras. A condicao de Kay torna-se tambem uma reflexao sobre identidade, corpo e a possibilidade de continuar sendo quem somos quando tudo aquilo que nos definia exteriormente desaparece.
A Danca das Marionetes combina horror, encantamento e romance em uma fabula contemporanea sobre perda, transformacao e persistencia do amor. Keith Donohue utiliza o mito de Orfeu e Euridice para construir uma historia em que seres humanos podem tornar-se objetos, objetos podem carregar vidas inteiras e o tempo conduz todos em uma danca inevitavel. Entre o desejo de recuperar aquilo que foi perdido e a necessidade de aceitar aquilo que nao pode permanecer igual para sempre, a narrativa pergunta ate onde alguem seria capaz de ir para trazer de volta a pessoa que ama.