- Alda Porto (Tradutor)
- (Colecao 201)
A Tragedia de Macbeth comeca sob um ceu de tempestade, onde tres bruxas profetizam que Macbeth, o valente General de Cawdor, se tornara o futuro Rei da Escocia. Embora inicialmente hesitante, Macbeth eh consumido pela "ambicao que a tudo salta" e instigado por sua implacavel esposa, Lady Macbeth, que o convence de que o destino deve ser tomado a forca. Durante uma visita do bondoso Rei Duncan ao castelo do casal, Macbeth quebra os lacos de lealdade e hospitalidade, assassinando o monarca em seu sono. o crime, cometido para garantir uma coroa, torna-se o ponto de partida para uma espiral de horror, onde o sono de Macbeth morre para sempre e a culpa comeca a manifestar alucinacoes terriveis.
A ascensao de Macbeth ao trono nao traz a paz desejada, mas sim uma paranoia devastadora que o obriga a cometer uma serie de assassinatos preventivos, incluindo a morte de seu melhor amigo, Banquo, e da familia de seu rival, Macduff. Lady Macbeth, antes o pilar de frieza da dupla, entra em colapso mental, sendo assombrada por manchas de sangue invisiveis que nao saem de suas maos, simbolizando a impossibilidade de apagar o mal cometido. Enquanto isso, as profecias das bruxas comecam a se cumprir de formas ironicas e inesperadas: a floresta de Birnam comeca a "marchar" em direcao ao castelo de Dunsinane e Macbeth descobre que sua suposta invencibilidade era apenas uma armadilha semantica das forcas sobrenaturais.
Com uma narrativa persuasiva e uma atmosfera carregada de sombras, a peca culmina em um confronto final epico onde a justica poetica eh restaurada atraves do sangue. Shakespeare utiliza o declinio de Macbeth para ilustrar que o poder obtido por meios ilicitos eh uma armadura vazia e que o universo acaba por expelir aqueles que violam a ordem natural da vida. a obra encerra-se com a coroacao de um novo rei, mas deixa no leitor a marca indelevel da famosa reflexao de Macbeth sobre a existencia: a vida eh apenas uma historia contada por um idiota, cheia de som e furia, significando absolutamente nada.