Auto Da Compadecida Eh Uma Peca Teatral Em Tres Atos Que Acompanha As Aventuras De Joao Grilo, Um Sertanejo Pobre Mas Astuto, E Chico, Seu Amigo Medroso E Sonhador, Em Uma Pequena Cidade Do Sertao Nordestino. Joao Grilo Sobrevive Usando Sua Inteligencia Afiada Para Enganar Os Poderosos Locais - O Padeiro Ganancioso E Sua Esposa Beata Hipocrita, O Padre Corrupto, O Bispo Materialista E O Cangaceiro Temivel Severino De Aracaju. Atraves De Mentiras Criativas E Golpes Engenhosos, Joao Grilo Expoe A Hipocrisia, A Ganancia E As Injusticas Da Sociedade Sertaneja, Sempre Conseguindo Se Safar Das Situacoes Mais Impossiveis.
A Narrativa Atinge Seu Climax Quando Todos Os Personagens Morrem Em Um Tiroteio E Comparecem Ao Juizo Final, Onde Sao Julgados Por Jesus Cristo, O Diabo E, Especialmente, Nossa Senhora - A Compadecida Do Titulo - Que Intercede Pelos Pecadores Com Misericordia Maternal. Neste Julgamento Celestial Hilario E Profundo, Suassuna Inverte Hierarquias Sociais E Questiona Valores Morais, Mostrando Que Os Pobres E Marginalizados Muitas Vezes Possuem Mais Dignidade Que Os Poderosos Hipocritas. Joao Grilo Usa Sua Esperteza Ate Mesmo Diante De Cristo, Argumentando Eloquentemente Em Sua Defesa E Revelando As Contradicoes Dos Que Se Consideravam Santos Em Vida.
Ariano Suassuna Cria Uma Obra-Prima Que Funciona Simultaneamente Como Comedia Popular Acessivel E Texto Literario Sofisticado, Mesclando Elementos Dos Autos Medievais Portugueses, Da Commedia Dellarte, Do Cordel Nordestino E Do Teatro De Mamulengos. Auto Da Compadecida Eh Uma Celebracao Da Cultura Sertaneja, Uma Critica Social Devastadora Disfarcada De Farsa E Uma Reflexao Profunda Sobre Justica, Fe, Misericordia E A Condicao Humana. A Peca Permanece Absolutamente Atual Em Sua Denuncia Da Hipocrisia Religiosa E Das Desigualdades Sociais, Provando Que O Humor Inteligente Pode Ser O Veiculo Perfeito Para Questoes Filosoficas E Morais Profundas.