- Contem fitilho marcador e pintura trilateral
Depois de um desastre global, a civilizacao como conhecemos deixa de existir. Cidades antes movimentadas transformam-se em extensos esqueletos de concreto, enquanto pequenos grupos de sobreviventes percorrem um planeta hostil em busca daquilo que se tornou mais precioso: comida, abrigo e mais um dia de vida. Nao existem instituicoes capazes de manter a ordem e tampouco regras que garantam qualquer forma de protecao.
A escassez empurra os sobreviventes para limites cada vez mais brutais. Em um mundo onde ate a carne humana pode se transformar em alimento, confianca passa a ser um risco e qualquer encontro entre desconhecidos pode significar salvacao ou morte. A antiga moralidade parece pertencer a uma epoca distante, quando ainda era possivel acreditar que determinadas fronteiras jamais seriam atravessadas.
Os personagens precisam enfrentar nao apenas um ambiente devastado, mas tambem aquilo que o colapso desperta nas proprias pessoas. Medo, fome, violencia e desespero colocam principios a prova e obrigam cada sobrevivente a decidir quanto de sua humanidade esta disposto a abandonar para continuar respirando. A ameaca nao vem de criaturas fantasticas ou forcas sobrenaturais, mas dos proprios seres humanos privados das estruturas que um dia limitaram seus impulsos.
Nesse cenario, a sobrevivencia torna-se tambem um conflito moral. Em meio as ruinas e a brutalidade, ainda persistem vinculos, lembrancas e pequenos gestos capazes de sugerir que nem tudo foi destruido. A possibilidade de empatia convive com a necessidade de desconfiar, enquanto esperanca e selvageria disputam espaco dentro de individuos submetidos a escolhas que nenhuma sociedade estavel poderia preparar alguem para enfrentar.
Colapso apresenta um futuro pos-apocaliptico em que a destruicao material do mundo eh apenas o comeco. Roberto Denser transforma a queda da civilizacao em uma investigacao sobre aquilo que permanece quando leis, conforto e certezas desaparecem, colocando seus personagens diante da pergunta mais incomoda desse novo mundo: depois que tudo entra em colapso, o que ainda separa um ser humano de um predador?