Contraponto nao possui um protagonista unico ou uma trama linear tradicional; em vez disso, apresenta um mosaico de vidas interligadas que gravitam em torno da elite intelectual e aristocratica de Londres na decada de 1920. a narrativa detalha os encontros e desencontros de um vasto elenco de personagens, cada um representando uma filosofia de vida, uma ideologia politica ou uma obsessao cientifica. a trama foca-se na tecnica musical que da nome ao livro: assim como no contraponto musical varias melodias independentes se sobrepoem para formar uma harmonia (ou cacofonia), as historias dos personagens cruzam-se em festas e jantares, revelando as contradicoes entre o que dizem e o que realmente sentem.
Entre as figuras centrais estao Philip Quarles, um escritor cerebral (um alter ego do proprio Huxley) que observa a vida como se fosse um experimento; Walter Bidlake, um romantico infeliz preso num triangulo amoroso com a fria Lucy Tantamount e a sua esposa gravida; e Mark Rampion (baseado no escritor D.H. Lawrence), que defende o retorno aos instintos naturais contra o excesso de intelectualismo. a narrativa evolui atraves de dialogos brilhantes sobre arte, ciencia, politica e sexo, culminando em atos de violencia real e tragedias pessoais que quebram a bolha de futilidade da alta sociedade. o desfecho da obra eh uma visao cinica e melancolica de um mundo que perdeu a sua unidade moral e tenta desesperadamente encontrar sentido atraves de debates interminaveis.
Com uma narrativa persuasiva e densa, o livro conduz o leitor por um enredo de polifonia literaria. Huxley utiliza a estrutura fragmentada para mostrar que a vida moderna eh um conjunto de experiencias simultaneas e desconexas. o livro eh famoso pela traducao brasileira de Erico Verissimo, que conseguiu capturar a sofisticacao e o ritmo da prosa original. eh uma leitura obrigatoria para quem aprecia a literatura moderna que desafia a forma e exige do leitor uma atencao quase musical para perceber como os temas se repetem e se transformam ao longo das paginas.