Ligue os Pontos eh um livro de poemas em que Gregorio Duvivier transforma acontecimentos aparentemente insignificantes em imagens de grande forca poetica. Em vez de buscar temas grandiosos ou distantes, o autor volta seu olhar para fragmentos do cotidiano, encontrando neles humor, melancolia, surpresa e beleza. A vida comum torna-se materia para uma poesia que observa atentamente aquilo que muitas vezes passa despercebido.
A adolescencia aparece como um territorio de lembrancas, descobertas e inquietacoes. Memorias pessoais sao revisitadas com uma combinacao de ironia e sensibilidade, revelando experiencias de uma geracao marcada pelas transformacoes tecnologicas e culturais do inicio do seculo XXI. O passado, porem, nao eh apresentado apenas como nostalgia, mas como uma colecao de acontecimentos que continuam influenciando a maneira de compreender o presente.
O proprio ato de criar tambem se transforma em tema. Duvivier investiga o misterio da escrita, as possibilidades das palavras e as relacoes inesperadas que podem surgir entre elas. O jogo verbal ocupa um lugar central nos poemas, permitindo que sons, sentidos, ambiguidades e associacoes produzam efeitos que oscilam entre o comico e o profundamente emotivo.
O amor surge como outra experiencia fundamental, especialmente na passagem para uma compreensao mais madura dos relacionamentos. As emocoes sao tratadas sem abandonar o humor caracteristico do autor, criando uma poesia que pode ser ao mesmo tempo intima, divertida e melancolica. A consciencia da transitoriedade tambem atravessa os poemas, lembrando que pessoas, sentimentos, momentos e lugares estao continuamente sujeitos a mudanca.
Com o Rio de Janeiro como cenario afetivo, Ligue os Pontos constroi uma geografia sentimental feita de ruas, lembrancas, encontros e pequenas experiencias compartilhadas. Ao unir humor, lirismo e observacao cotidiana, Gregorio Duvivier apresenta uma poesia de voz propria, capaz de transformar cenas aparentemente banais em imagens inesperadas e revelar, nos detalhes da vida comum, uma beleza muitas vezes desconcertante.