Via apia acompanha a vida de cinco jovens moradores da Rocinha durante um periodo de profundas transformacoes na comunidade carioca. A narrativa se desenvolve em torno da instalacao da Unidade de Policia Pacificadora e observa como a chegada da policia altera relacoes, rotinas, expectativas e possibilidades para aqueles que vivem no territorio. Entre amizades, paixoes, conflitos familiares, ambicoes e sonhos, os personagens tentam encontrar seus proprios caminhos em meio a uma realidade marcada pela violencia e pela desigualdade.
A historia eh estruturada em tres momentos. Primeiro, surge a expectativa diante da chegada das forcas de seguranca e das mudancas que ela promete provocar. Depois, a instalacao da UPP transforma a rotina da Rocinha e cria novas formas de controle sobre os moradores. Por fim, a saida silenciosa da policia abre espaco para o retorno dos bailes funk e de praticas culturais que fazem parte da identidade da comunidade, revelando que a vida local continua a pulsar apesar das intervencoes externas.
Os cinco protagonistas atravessam esse periodo de maneiras diferentes. Cada um possui desejos, medos, relacionamentos e projetos particulares, e suas historias se cruzam em uma narrativa construida por perspectivas variadas. A juventude aparece como uma fase de descobertas e possibilidades, mas tambem como um periodo em que escolhas pessoais sao constantemente afetadas pelas condicoes sociais e pela violencia presente ao redor.
Ao retratar o cotidiano da Rocinha, Geovani Martins questiona os efeitos da guerra as drogas e as consequencias de uma politica de seguranca baseada principalmente na ocupacao e no confronto. A presenca do Estado, longe de representar uma solucao simples para os problemas da comunidade, produz novas tensoes e modifica a relacao dos moradores com o espaco onde vivem.
Apesar da violencia que atravessa a historia, Via apia eh tambem um romance sobre a vida. A amizade, o amor, a musica, os bailes, os desejos e os sonhos dos personagens revelam uma comunidade que nao pode ser reduzida ao conflito armado. Com dialogos vivos e uma narrativa envolvente, Geovani Martins constroi um retrato humano e complexo da juventude da Rocinha e das forcas que tentam determinar os rumos de suas vidas.